Quando me disseste algo como «Sabes o que queres dizer e não sabes escrevê-lo?» fiquei incrédula.
    Não, não consigo. É claro que não consigo. Que parte disso não percebes? Antes de entrares na minha vida, eu não sabia escrever sobre qualquer coisa que envolvesse alegria. Não conseguia só. Tudo o que sabia era escrever sobre mágoas, sobre arrependimentos, sobre tudo o que de mal me faziam. E depois tu apareceste. Fizeste-me sentir muito perto do céu, como se acreditasse que houvesse lá um paraíso guardado para mim. E eras tu, e estavas à minha frente, e estavas porque querias, porque gostavas. Gostavas sobretudo de desperdiçar o teu tempo a ouvir as minhas parvoíces, a rir e a gozar comigo, como sempre fizeste, como sempre gostei porque me fazias encarar a vida com um sorriso. Nem sei se faz sentido o que estou a dizer mas a verdade é que tendo ou não lógica, eu sentia-me assim - ainda hoje me sinto quando estou contigo - e gostava. Sempre te disse que estar contigo era sinónimo de rir. E rir, rir e rir. Percebes agora que era sinónimo de alegria? Era nesse estado que me punhas. Alegre. Feliz. Comigo, contigo, sempre. E eu não sei como pude destruir tudo.
    Hoje, quando disse que se pudesse voltar um ano atrás mudaria muita coisa, era suposto perguntares porquê. Foi a minha forma de iniciar uma conversa minimamente séria. Nem sequer me deste continência. Sabes o que mudava? As minhas atitudes contigo. A minha pouca compreensão. Pouparia muita merda se tentasse ao menos entender-te. Ou aceitar o teu silêncio, porque somos de facto diferentes e, se tu me aceitavas com tanta naturalidade, porque não podia eu aceitar-te? Fui estúpida. Estúpida e mesquinha. Contigo, comigo, connosco e com a nossa relação. E eu sei que não sou boa namorada, mas não podes apontar-me um dedo que seja como amiga porque esta, esteve sempre cá para ti. Mesmo que os ciúmes se apoderam-se de mim e me fizessem dizer coisas que não queria. Sempre me arrependi e isso conta imenso. Se calhar não para ti. Mas para mim sim. E estou a crescer, a aprender, falhar está perto de todas as minhas acções. E eu não posso mudar isso. Se calhar estou a precipitar-me quando digo que te amo mas sinceramente já se esgotaram todas as palavras. Tudo o que já pensei dizer-te perdeu-se no tempo. Porque é passado, porque evoluiu e é inexplicável, consequentemente a isso, é impensável responder porquê. E eu amo-te. Exageradamente, talvez. Se calhar digo mais do que faço. Mais do que mostro. Mas eu não sei fazer mais do que faço nem mostrar mais do que mostro. E se tu precisas de acções, eu preciso de palavras. E é com isso que te tento mostrar que não te quero longe de mim. De maneira nenhuma. Não consigo pensar na hipótese de nunca mais te ver. Hurts like hell e eu não aguento. E sim, devia ter pensado no que disse, já que as palavras são tão importantes para mim - pensas tu - mas todos nós nos exaltamos. Todos nós fazemos merda. E eu sou humana, pára de me tratar como se fosse de ferro. E sabes porquê que não consigo escrever-te o que sinto? Porque a partir do dia em que entraste na minha vida, eu deixei de conseguir escrever sobre coisas más. Pelo menos quando se trata de ti. Porque tu és só a melhor pessoa que apareceu nela e das únicas por quem faço tudo para ver bem e ter ao meu lado. E sim, fazer merda e arrepender é sinónimo de aprender e nunca ninguém me vai ensinar tanta coisa como tu.

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